ANO NOVO

 

 

O ANO NOVO é sempre uma caixa misteriosa de oportunidades, dias, novidades, lágrimas, esperanças, guardada com 365 papéis, longe da curiosidade humana. Por mais que se esforcem para olhar, além dos minutos que os rodeiam, a visão está nublada por empecilhos das noites e das dúvidas. Somente as horas se encarregam de abrir as páginas da vida.

A eternidade do tempo, sem medida nem conta, caiu na balança dos homens e desbotou-se na ferrugem de sua limitação. O ano ficou velho! É uma vingança desse ser, consciente da mortalidade, sobre o imorrível ano novo, sempre.

Não importam os calendários velozes e passageiros. A peregrinação pela estrada da vida conduz ao intransferível fim. Morre-se com os segundos. É necessário, portanto, repensar o tempo e recriar a vida. Ambos caminham imprevisíveis e horizontais.

Quando as flores se curvam ao peso do perfume ou se cansam do colorido jardim; quando os pássaros se confundem na revoada e nos cantos, há prenúncios de transformações e mudança. Nada ficou velho: os vôos se reabastecem na distância, as vozes se afinam em lágrimas, e as flores adormecem em pétalas, junto aos caules, para alimentar o resplandecer dos botões.

Neste ANO NOVO, que se faça o balanço das atitudes, subtraindo, na contabilidade da vida os fatores geradores de débitos com o próximo. Na prestação de contas deste ano, que os prejuízos sejam pagos em doze novas prestações de amor.

                                                                                    

Ivone Boechat

 

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